Vista Chinesa x Jequitibá

Unidade de Conservação em que o trecho está inserido: Parque Nacional da Tijuca

Orientação Fácil
Nível de esforço Leve
Exposição ao risco Severa
Insolação Baixa

Distância: 3,5km Duração: 02h00

Desnível positivo: 158m Desnível negativo: 301m

Altitude inicial: 413m Altitude máxima: 413m

Água potável: Sim Sinalização no sentido Guaratiba-Pão de Açúcar: Sim Sinalização no sentido Pão de Açúcar- Guaratiba: Sim Presença de trecho de escalaminhada: Não

Pontos de interesse: Cachoeiras, Mirantes, Monumentos históricos

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Perfil altimétrico (clique para ampliar):

Distância entre as atrações do trecho e trechos seguintes:

No sentido Pão de Açúcar (Leste):

Da Vista Chinesa até:

  • Entrada da trilha para o Solar da Imperatriz/Jequitibá:  58 m
  • Bifurcação para o Parque da Cidade: 1 km
  • Parque da Cidade: 2,4 km
  • Bifurcação para o Solar da Imperatriz: 1,5 km
  • Solar da Imperatriz: 2 km
  • Cachoeira dos Macacos: 2,6 km
  • Represa: 2,6 km
  • Saída na Estrada da Vista Chinesa (Início do trecho Jequitibá-Gruta): 3,3 km

No sentido  Barra de Guaratiba (Oeste):

Na Estrada da Vista Chiensa (Início Jequitibá):

  • Represa: 670 m
  • Cachoeira dos Macacos: 730 m
  • Bifurcação para o Solar da Imperatriz/Vista Chinesa: 1,8 km
  • Solar da Imperatriz: 2,3 km
  • Bifurcação para o Parque da Cidade: 2,3 km
  • Parque da Cidade: 3,7
  • Saída na Estrada da Vista Chinesa: 3,2 km
  • Vista Chinesa: 3,3 km

Ponto de entrada oeste:

Vista Chinesa

Ponto de entrada e saída intermediário: Solar da Imperatriz

Ponto de entrada leste:

Vista Chinesa

Atrações:

Vista Chinesa, construção histórica do Solar da Imperatriz, represas e aquedutos históricos, trilha histórica em pé de moleque, cachoeira.

Informações:

ATENÇÃO: PARTE DESSE TRECHO É COMPARTILHADO COM MOUNTAIN BIKES

Exposição ao risco: Severo (devido ao risco de atropelamento por bicicletas)

A partir da Vista Chinesa, a Trilha Transcarioca desça pela estrada de asfalto cerca de 100 metros, sempre atento à sinalização das pegadas. Logo a Trilha Transcarioca vai entrar no mato à sua direita. A partir daí você vai descer quase que ininterruptamente até visualizar à direita de quem desce, entre a floresta, uma casa. Logo a seguir, você chegará a um trecho bastante íngreme que desemboca em uma trifurcação. A Trilha Transcarioca segue pela esquerda de quem desce. Agora a trilha avança mais ou menos plana até uma curva em 180º para a direita. Nesse ponto há outra bifurcação. À direita, caminhando mais 400 metros, você vai chegar no Solar da Imperatriz. À esquerda a Trilha Transcarioca vai avançar sem grandes subidas e, mesmo assim vai proporcionar uma caminhada imersa em frondosa mata atlântica, com represas do século XIX e banho em uma cachoeirinha.

Em breve, você vai chegar a outra bifurcação onde é preciso virar à esquerda e atravessar um pequeno córrego. Nesse ponto dá para ver com clareza os vestígios do calçamento de um antigo caminho histórico por onde era escoada a produção de café, que era plantado na Serra da Carioca até meados do século XIX. Do outro lado do córrego não deixe de apreciar o enorme jequitibá que adorna um pequeno largo no meio da selva. Avançando um pouco mais, Você vai chegar aos primeiros vestígios de um antigo aqueduto e, minutos depois, à primeira de três caixas d´água do Século XIX que existem nesse trecho da Trilha Transcarioca (duas vazias e uma cheia).

Um pouco antes da terceira e última caixa-d´água à esquerda há uma cachoeira (a trilha de acesso é bem íngreme. CUIDADO). Na última caixa d´água que é a única que ainda está cheia a trilha vira radicalmente à direita e sobe até encontrar o leito antigo da Vista Chinesa cujo traçado, feito na época do Império, é pouco inclinado e fácil de notar. A partir daí, em pouco menos de um quilômetro Você vai chegar ao asfalto da Estrada da Vista Chinesa. Para pegar o trecho seguinte da Trilha Transcarioca (Jequitibá-Cachoeira da Gruta), é só atravessar a rua. Todo o trecho costuma ser frequentado por micos e macacos prego. Quem caminha em silêncio terá boas chances de ver a macacada saltando de galho em galho. Boa Trilha!

Um pouco de história:

Segundo o site Wikirio, “Desde 1856 o Jardim Botânico estava ligado ao Alto de Boa Vista por uma estrada carroçável, aberta por influência do Barão do Bom Retiro e cuja execução e manutenção foi contratada a Thomas Cochrane. Registra a crônica da cidade que, nessa obra, foram empregados trabalhadores “cules” trazidos de China (Macau) para desenvolver a lavoura do arroz , mas que, não tendo demonstrado qualquer habilidade para a agricultura, foram aproveitados na construção da estrada. Essa região apresenta uma assombrosa coincidência de presença chinesa, iniciada com a vinda dos plantadores do chá de D. João VI. Depois do fracasso dessa lavoura, segundo Brasil Gerson, os chineses se teriam espalhado “pelas fraldas da Tijuca”.

Em 1844 um mapa da área registra uma edificação denominada “Casa dos Chinas”, provavelmente um resquício dessa primitiva experiência. Essa “vocação” provavelmente explica por que a Prefeitura (o prefeito Pereira Passos, em 1903, com projeto do arquiteto Luis Rey, em argamassa copiando o bambu) edificou à margem dessa estrada, anos mais tarde, o pavilhão denominado Vista Chinesa”.

Também segundo a Wikipédia: “O nome “Vista Chinesa” tem origem nos agricultores dessa nacionalidade trazidos para o Rio de Janeiro em duas levas, na primeira metade do século XIX.

Inicialmente, foram cem os chineses que vieram da colônia portuguesa de Macau, importados em 1812 pelo Conde de Linhares, a mando de Dom João VI, com o objetivo de testar a receptividade do solo brasileiro para o cultivo do chá.

Os imigrantes, que, teoricamente, foram escolhidos por terem bastante experiência no assunto, estabeleceram-se, primeiramente, nas encostas da mata onde estão os fundos do Jardim Botânico. Ali, chegaram a plantar 6.000 pés de chá, erva que dava três safras por ano.

Após serem colhidas, as folhas eram colocadas em fornos de barro, onde eram postas a secar, sendo depois enroladas.

Era sonho do Príncipe-regente repetir, no Brasil, o comércio exitoso entre Macau e a Europa, do qual, com a venda do chá, Portugal auferia considerável rendimento.

No princípio, houve certa euforia com o futuro da erva no Rio de Janeiro. Luccock nos conta que, logo após a chegada da Família Real, planejava-se suprir todo o mercado europeu com a produção carioca.

Também Ebel nos dá seu relato, datado de 1824, no qual afirma ter visto, nas encostas do Jardim Botânico, “vastas plantações de chá chinês, agora em floração”.

Nesse sentido, é interessante o registro iconográfico executado por Rugendas em 1822, onde se podem ver os chineses em pleno trabalho de plantio do chá, com bela vista da Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo.

Um pouco antes de 1817, Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius declararam ter o chá carioca aroma excelente, embora seu sabor não fosse dos melhores.

Esse desagradável paladar parece ter sido a razão que acabou obrigando o governo português a desistir de tentar produzir comercialmente o chá em terras brasileiras.

Outros autores, entretanto, afirmam que o insucesso deveu-se à falta de preparo, indolência e alto custo da mão de obra representada pelos chineses, que teriam sido mal escolhidos em sua terra natal, não tendo vindo para cá um grupo de experientes agricultores, mas, como escreveu o historiador Oliveira Lima, “a ralé de Cantão“.

Mais realista, entretanto, parece ser a explicação de Maria Graham nas folhas de seu Diário de Uma Viagem ao Brasil: “o Imperador compreendeu ser mais vantajoso vender café (um produto sem concorrentes) e comprar chá do que obtê-lo com tais despesas (já que o chá era produzido a baixíssimo custo na China e Índia) e não continuou a plantação”.

Os chineses foram transferidos para a Fazenda Real de Santa Cruz onde fizeram outra tentativa, também falida.”

Os principais mananciais explorados no Rio de Janeiro no século XIX e princípio do século XX formaram os sistemas de Santa Tereza (Carioca, Lagoinha e Paineiras); o da Tijuca (Maracanã, São João, Trapicheiro, Andaraí, Gávea Pequena, Cascatinha); o da Gávea (Chácara da Bica, Piaçava, Cabeça, Macacos); o de Jacarepaguá (Rio Grande, Covanca, Três Rios, Camorim); o de Campo Grande (Mendanha, Cabuçu, Quininha, Batalha) e o de Guaratiba (Taxas e Andorinhas).

As represas e o aqueduto que podem ser observados nesse Trecho da Trilha Transcarioca fazem parte do conjunto da Gávea, mais especificamente da bacia do rio dos Macacos, que hoje estão tombados pelo INEPAC como Patrimônio Histórico do Estado do Rio de Janeiro. As represas e o aqueduto estavam interligados ao Reservatório da rua Pacheco Leão, no vale do Rio Macacos, a 70m do nível do mar. Segundo Iracema Franco e Roberto Anderson Magalhães, a água ali coletada deveria seguir os seguintes percursos: “1ª Linha – Descerá a estrada dos Macacos até a rua do Jardim, seguirá por esta pela do Oliveira, São Clemente, São Joaquim, praia de Botafogo, onde tomará a direção da praia vermelha passando pelo Hospício de D. Pedro II. Fornecerá ramaes para Copacabana pela praia das Pitangueiras, para todas as ruas transversaes que encontrar e para a Fortaleza de São João. 2ª Linha – Seguirá ao lado da 1ª até o largo dos Leões, continuará depois da rua São Clemente, praia de Botafogo até o reservatório do Morro da Viúva, onde estará de modo a poder ser também alimentada por essa extremidade. Reforçará em caminho o encanamento do rio Cabeça e dará ramaes para as ruas transversaes. na praia de Botafogo será posta em comunicação com a 1ª Linha, para reforça-la, quando necessário. As ágoas do rio Cabeça (cujo vale é percorrido por outro Trecho da Trilha Transcarioca) serão exclusivamente reservadas para abastecimento do bairro do jardim até as Três Vendas e para esse fim serão modificados convenientemente os atuaes encanamentos, que são por ellas alimentados.”

Ainda segundo os mesmos autores, “Os terrenos onde o reservatório foi implantado foram adquiridos no período de 1871 a 1876, pela Fazenda Federal, dos seguintes proprietários: Oilveira Borges & Irmão; Rita Loureiro, Margarida de Jesus Moreira, Bárbara dos Santos Pereira, Balbina de Azevedo Ruy, Jesuíno Camerou Medeiros, Ignez Sampaio Serra, Umbelina Luiza Guimarães, Gertrudes Mediros Batista e outros e Castorina Angélica de Oliveira Castro (daí o nome Estrada Dona Castorina, nome oficial da estrada da Vista Chinesa). Esta obra foi idealizada na Comissão de Estudos de Aproveitamento dos Mananciais Distantes e Abundantes, integrada pelos engenheiros André Rebouças, Antônio Rebouças e Luiz Francisco Monteiro de Barros, e consubstanciada no Plano de Abastecimento de Água, apresentado em 1874 pelo Inspetor Geral das Obras Públicas Jerônimo de Moraes Jardim e pelo engenheiro Monteiro de Barros. O projeto e a execução das obras do açude e do reservatório dos Macacos são devidos ao engenheiro Antônio Rebouças. O reservatório foi inaugurado em 1877 na presença de sua S.M. Princesa Isabel.”

Segundo o site do Museu do Horto, acessado em 6 de março de 2016, “O Solar da Imperatriz foi construído em 1750 para sediar a Casa Grande da Fazenda imperial dos Macacos. A história da região remonta a um passado ainda mais antigo. Logo no início da colonização o governo português dividiu o território do Rio de Janeiro em Sesmarias tendo como um dos objetivos desenvolver a cultura da cana-de-açúcar. Em 1575 uma dessas sesmarias foi doada a Antônio Salema e batizada de Engenho D´El Rei. Nesse momento ainda se utilizava mão de obra indígena, que rapidamente foi substituída pela africana.

Em 1578 Salema retornou a Portugal e o Engenho foi desativado até 1596 quando foi arrendado por Diogo de Amorim Soares. Em 1609 ele também retornou a Portugal e somente em 1660 Rodrigo de Freitas de Mello e Castro comprou o Engenho, que foi conservado em poder de sua família por mais de 140 anos.

Com a vinda da corte portuguesa para  o Brasil em 1808, o Engenho foi desapropriado para a construção de uma Fábrica de Pólvora. Nas cercanias do Solar se estabeleceram serventias como ferrarias, estrebarias,  carpintarias, moradias, bem como as senzalas e sítios quilombolas nascentes ou já existentes.

Em 1875, o prédio abrigou o Asilo Agrícola do Imperial Instituto de Agricultura a fim de formar os órfãos nos ofícios acima descritos: ferreiros, carpinteiros, etc. O asilo foi desativado com a proclamação da República.

Em 1909, passou a sediar o Museu Florestal e, em 1927, um Laboratório de Botânica.

Em 1973, o nome Solar da Imperatriz foi oficialmente reconhecido, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou a área para acréscimo ao Instituto Jardim Botânico.

O prédio foi restaurado e passou a integrar o campus do Instituto Jardim Botânico nos anos 2000. Durante as obras de restauração se transformou a antiga senzala (no porão do Solar) em cafeteria e se apagaram importantes documentos da escravidão na região. Moradores mais tradicionais do Horto contam que havia correntes e “paus de arara” no porão ,que foram destruídos. Felizmente esse registro ainda se atesta pela memória social.”

Quem tiver interesse em informações mais pormenorizadas sobre o Solar da Imperatriz deve consultar o excelente documento.

Galeria de fotos:

Adotante:
Funcionários da Conservação Internacional do Brasil

Site/Facebook do adotante:
http://www.conservation.org/global/brasil/Pages/default.aspx

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