Cachoeira da Gruta x Primatas

Unidade de Conservação em que o trecho está inserido: Parque Nacional da Tijuca

Orientação Fácil
Nível de esforço Leve
Exposição ao risco Pequena
Insolação Baixa

Distância: 2,7km Duração: 01h45

Desnível positivo: 92m Desnível negativo: 168m

Altitude inicial: 174m Altitude máxima: 241m

Água potável: Sim Sinalização no sentido Guaratiba-Pão de Açúcar: Sim Sinalização no sentido Pão de Açúcar- Guaratiba: Sim Presença de trecho de escalaminhada: Não

Pontos de interesse: Cachoeiras, Formações rochosas, Mirantes

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Perfil altimétrico (clique para ampliar):

Distância entre as atrações do trecho e trechos seguintes:

No sentido Pão de Açúcar (Leste):

Da Estrada da Vista Chinesa (próximo à guarita do PNT) até:

  • Trilha Transcarioca: 600 m
  • Cachoeira da Gruta: 700 m
  • Mirante do Horto: 1700 m
  • Bifurcação saída para a rua Sarah Villela: 2,2 km
  • Saída rua Sarah Villela (asfalto): 2,7 km
  • Bifurcação para Corcovado/Paineiras/Mirante da Lagoa: 2,6 km
  • Cachoeira dos Primatas: 2,7 km

No sentido Barra de Guaratiba (Oeste):

Da rua Sarah Vilela até:

  • Bifurcação Primatas / Cachoeira da Gruta (Trilha Transcarioca): 450 m
  • Mirante do Horto: 700m
  • Cachoeira da Gruta: 1,7 km
  • Bifurcação saída: 1,8km
  • Saída Cachoeira da Gruta (Asfalto): 2,4 km
  • Jequitibá (saída na estrada da Vista Chinesa): 4,2 km

Ponto de entrada oeste:

Estrada da Vista Chinesa (Estrada Dona Castorina), pouco abaixo da guarita de entrada do Parque Nacional da Tijuca

Ponto de entrada leste:

Largo final da rua Sarah Villela

Atrações:

Cachoeira da Gruta, Mirante do Horto, Formações rochosas

Informações:

Este trecho da Trilha Transcarioca é bem curtinho e tem o potencial de levar o caminhante a duas cachoeiras, a da Gruta e a dos Primatas. Suas trilhas de acesso de entrada (na estrada da Vista Chinesa) e saída (na rua Sarah Villela) estão sinalizadas com setas amarelas (em direção à Trilha Transcarioca) e com setas brancas (em direção ao asfalto).

Para encontrar o início do trecho, siga a rua Pacheco Leão até o final. Quando ela termina, há uma bifurcação. Suba pela direita, em direção à Vista Chinesa. Fique atento! Logo vai acabar a área edificada à direita da estrada; em seguida, antes de uma curva radical para a esquerda, está a última casa do lado esquerdo da estrada. A trilha de acesso começa aí, antes da guarita de entrada do Parque Nacional da Tijuca e quase em frente ao portão dessa última casa, do outro lado do asfalto (lado direito de quem sobe).

Entrando 15 metros na mata, você vai dar em um rio canalizado. Você vai ver no leito do rio canalizado uma pequena contenção de cimento, baixa e com um vão no centro. Nesse ponto é necessário atravessar o rio. Na outra margem, a trilha segue reto (fazendo um ângulo de 90° com o rio canalizado). Agora, a trilha subirá e vai se afastar um pouco do rio, diminuindo o barulho de água corrente até chegar ao ponto em que encontra a Trilha Transcarioca. Daí para a frente basta seguir as pegadas amarelas sobre fundo preto, que você chegará na Cachoeira da Gruta.

Em breve você vai chegar a um pocinho. Ao fundo desse pocinho você vai ver que o rio sai de uma gruta. Pois bem, aí está a magia dessa cachoeira, ela jorra dentro da gruta. Tire as botas, entre na caverna e deleite-se!

Por fim, um apelo: os frequentadores dessa cachoeira têm feito, nos últimos anos, um esforço descomunal para mantê-la limpa, isto é livre de dejetos e pedaços de plástico, papel ou qualquer outro detrito que não seja parte da natureza. Contribua você também para a continuidade desse esforço coletivo em prol de uma cachoeira da Fenda limpa. Leve todo o seu lixo de volta com você e, na medida do possível, recolha também dejetos eventualmente deixados ali por excursionistas mal educados.

Depois do banho é só continuar seguindo as pegadas. Com mais cerca de meia hora de caminhada você vai chegar ao belíssimo Mirante do Horto. Daí até a bifurcação que leva novamente ao asfalto, na rua Sarah Vilela não é muito longe. Se ainda tiver fôlego, vale mais um banho na cachoeira dos Primatas antes de descer. Boa trilha.

Um pouco de história:

“Antiga estradade que do Jardim Botânico se vai até o Alto da Boa Vista na Tijuca, desenvolvendo-se por escarpadas encostas onde borbulham as cascatas e nascem as águas que abastecem a capital do império”

Relatório do Ministério das Obras Públicas, 1865, in Claudia Heynemann

O acesso à Cachoeira da Gruta é feito pela Estrada Dona Castorina, quase junto ao Portão dos Macacos. Esse portal deve seu nome à Fazenda dos Macacos, que ocupava o vale do rio do mesmo nome e que foi desapropriada pela Casa Imperial em 1875.

Fazendo limite com Macacos, existia a Propriedade de Dona Castorina de Oliveira Castro. Esse sítio, que na verdade era um desmembramento da própria Fazenda dos Macacos também foi adquirido pelo Governo na década de 1870 para fins de reflorestamento. Antes disso, porém, teve suas terras rasgadas por uma estrada que ligava o Jardim Botânico ao Alto da Boa Vista. Completada em 1856, essa obra, cujo leito é usado hoje pela Trilha Transcarioca em seu trecho de subida à Vista Chinesa, acabou por ser batizada com o nome da proprietária das terras que atravessava, passando a chamar-se Estrada Dona Castorina.

A estrada foi aberta pelo sogro de José de Alencar, um cidadão inglês chamado Thomas Cochrane, que era proprietário de uma chácara na Gávea Pequena. A ideia de construí-la, entretanto, deve-se, em parte, à fadiga de outro homem: o Ministro do Império Luiz Pedreira do Couto Ferraz, Barão e, depois, Visconde do Bom Retiro. Este patrono da ecologia brasileira vivia na Floresta da Tijuca, mas tinha atividades no Jardim Botânico, o que o obrigava a percorrer a cavalo um longo trajeto que equivaleria às atuais Estrada do Redentor e das Paineiras e à Trilha do Vale do Rio Cabeça. Cansado desse percurso, Bom Retiro, que sofria de reumatismo e gota, males que eventualmente causariam sua morte, sonhava com a abertura de um caminho mais direto ligando os dois lugares.

Para colocar seus planos em prática, o Barão contatou Cochrane e conseguiu para ele a concessão de uma licença para operar uma linha de bondes puxada por burros, ligando o Jardim Botânico ao Alto da Boa Vista.

Acreditando que a implantação de tal linha de transportes seria muito rendosa, Cochrane contratou trabalhadores chineses, originalmente importados para a lavoura de arroz, e principiou a empreender a tarefa. O empresário britânico, contudo, não teve saúde financeira para terminar o projeto e sua Companhia de Caminhos de Ferro da Tijuca faliu antes que os trilhos fossem instalados sobre a estrada recém aberta. Seu passivo foi então incorporado pelo Banco Mauá, credor maior de Cochrane e o bonde nunca chegou a subir a serra.

Assim, preservou-se a Dona Castorina, desde aqueles tempos, como uma via dedicada principalmente à arte de passear por prazer. Um pouco para homenagear o sogro, outro tanto por vontade de oferecer um tributo à verdade, anos depois José de Alencar escreveria sobre a estrada, que naquela época ainda não era conhecida como Castorina:

“Que Luzidia Companhia desfila pela estrada do Jardim? Assim é conhecido o caminho que serpeja pelas encostas da serra da Tijuca, e contornando a base da montanha desde a Cruz, no Alto da Boa Vista, vai morrer nas praias de Copacabana”

Ainda assim é hoje a Dona Castorina; uma estrada cheia de surpresas e prazeres raros, entre os quais salta aos olhos uma bela cascata que borbulha encosta abaixo, para deleitar a visão humana ao sair faceira de uma gruta encravada nas escarpas da serra.

Galeria de fotos:

Adotante:
Moleque Mateiro

Site/Facebook do adotante:
http://www.molequemateiro.com.br
https://www.facebook.com/InstitutoMolequeMateirodeEducacaoAmbiental

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